PORQUÊ DA EXISTÊNCIA

O Homem, ao aperceber-se de que tudo, o que era produzido por si, era em excesso, e não conseguindo consumir todos os seus excedentes, resolveu trocar esses excedentes com o seu vizinho. A princípio, era troca por troca, e mais tarde, a troca por dinheiro, sendo com isto, criado o espírito de mercado ou feira.
Assim, o passo decisivo na história da feira foi a introdução do princípio de mercado no decorrer dos séculos XII e XIII. Ao ideal de auto-suficiência, expresso pela armazenagem de toda a produção e pela inexistência de um sistema regular de compra e venda,

substituiu-se o novo princípio de mercado.
No começo, só os excedentes, como atrás foi referido, eram enviados para se trocarem por dinheiro, mais tarde a própria produção foi condicionada pela colocação em mercado e pela circulação dos bens. Este novo sistema implicava uma troca organizada entre o campo e a cidade. A partir do século XII, o mercado tornou-se gradualmente a forma habitual da organização económica, e que uma das características da actividade dominial passou a consistir na produção para o mercado local. Todo o Portugal se lhe mostrou permeável. Nos centros maiores ou mais desenvolvidos, o volume de negócio até justificava a existência de dois tipos de portagens, uma sobre os carregamentos transportados em cavalos e mulas, outra sobre os transportados por burros. Ao primeiro tipo pertenciam, Lisboa, Coimbra, Santarém, Porto e diversas outras cidades. Nos povoados menos importantes, a portagem estabelecia-se sobre o tipo de mercadorias, sem cuidar do peso.
Em Portugal, a sua grande época foi o século XIII, quando se criaram quarenta e três das noventa e cinco feiras conhecidas. Vinte e seis mais apareceram no século XIV e vinte e três no século XV. Foi o reinado de D. Dinis (1279-1325) que ficou marcado por uma enorme concentração de cartas de feira -48-, isto è , mais de metade do total, o que traduziu, sem dúvida, uma grande época na história do comércio interno.  Tempos houve, em que as feiras eram o chamariz do povo, e se esperava com alguma ansiedade pelo dia da feira. As pessoas vestiam os fatos domingueiros, deslocando-se ao local, a pé, de carroça, ou ainda em carro de bois, pois eram os transportes da época.
Era na feira, e através dos feirantes, que sabiam dos acontecimentos passados nas outras terras, alguns dos acontecimentos já fora de tempo, mas ali naquele local era noticia fresca e comentados com a exaltação que cada um tinha no seu contexto. Por uma questão de moral humana cada um dos feirantes começaram a tentar ocupar sempre os mesmos lugares e a respeitarem os lugares dos vizinhos e com este procedimento reconhecem a positividade de ter alguma organização.

Muito mais tarde, ou seja já nos finais do século XX as câmaras resolvem em Portugal, chamar a si a organização das respectivas feiras, com listagem de feirantes, com descriminação do ramo de venda, com metragem adequada para cada um dos lugares e com a criação dos terrados. Nasce o Dec. Lei 252/86 de 25 de Agosto, que ainda hoje rege a actividade. Os feirantes vêem-se perante esta perplexidade e interrogam-se: Como fazer para acordar ou discordar de qualquer coisa?

Apresentam-se isoladamente, ou vão em grupo? São para muitos perguntas de difícil resposta, mas…
Alguém resolveu dar o primeiro passo, unir ideias, discuti-las, aperfeiçoá-las e pô-las em prática e eis que surge a AFDL, (Ver historial) e nasceu com determinados objectivos;
Disciplinar tanto quanto possível a actividade, organizar os feirantes, dando-lhes oportunidade de se associarem uns aos outros através da Associação, representá-los condignamente, zelar pelos seus interesses, defender os seus postos de trabalho, aceitar deveres e, exigir direitos, dignificar a profissão, discutir sempre que necessário tarifário de terrados, levar se for caso disso as suas vozes à Assembleia da Republica, Dar-lhes uma abrangência à escala nacional.
Estas e outras razões não aqui mencionadas, fazem todo o sentido no porquê da Existência